Horas certas

sexta-feira, 29 de junho de 2018

O que tem de ser, tem muita força


O que tem de ser, tem muita força!!!

Para quem com alguma miopia ou presbitia mental pensar que sou um apaixonado doentio pelo Baixo Alentejo e que odeio Évora, posso garantir que é uma avaliação errada. Posso ainda confessar como comunista inorgânico uma hipótese bastante improvável, mas que nem por isso seria menos sincera:

- a de que, no dia em que se começasse a tirar tudo de Évora e trazer para Beja ou que só se investisse em Beja e se esquecesse Évora, eu estaria sem qualquer sombra de dúvida entre as primeiras vozes a protestar a favor de Évora ou a favor de um equilíbrio desenvolvimentista das duas cidades e contra esse eventual egoísmo insaciável de Beja. Só não protestaria no que tocasse ao rico património de Beja que fosse devolvido e que, infelizmente, continua em Évora.

Agora, para que as duas cidades e suas regiões cresçam sem peias e floresçam, é necessário que se tornem capitais das suas autarquias como regiões administrativas no continente, ainda por haver. O Baixo Alentejo litoral e interior com 18 concelhos está bem definido em múltiplos âmbitos históricos, geográficos e culturais. Corresponde aos 17 concelhos da diocese de Beja, incluindo ainda o concelho de Alcácer do Sal, onde teve sua sede a Ordem de Santiago da Espada que muito contribuiu para a configuração do território baixo-alentejano. O cante, por exemplo, é, de genuína origem, tão exclusivamente do Baixo Alentejo como o corridinho é do Algarve ou a chamarrita da Madeira.

É, portanto, absolutamente necessário acabar com a dominação eborense de uma vez por todas para que possamos, então sim, ser verdadeiramente amigos, sem hipocrisias, arrogâncias, ressentimentos ou usurpações, com a pureza no trato que caracteriza as nossas gentes no Alto e no Baixo Alentejo. Évora é Alto Alentejo e deve abandonar a recente designação de Alentejo Central, assim como a mania de todos os centralismos, pois, desde pelo menos Giordano Bruno que  o centro está em toda a parte. É necessário fechar as portas da CCDR e dar a voz ao povo do Baixo Alentejo. O governo central pode resolver o problema do Aeroporto complementar de Lisboa, em tempo record, construindo dia e noite 60 kms de auto-estrada entre o nó sul de Grândola e o aeroporto de Beja, uma distância que actualmente se faz em 55 minutos e que em auto-estrada leva metade do tempo. 

É ilusório continuar a bater na tecla do panalentejanismo que tenta esbater, escamotear ou até apagar as fortes identidades existentes num território vasto. Este perfaz cerca de um terço do território nacional. Ora, um terço de Portugal nunca poderia ser bem administrado a partir de Évora (tal como já acontece), sob pena de só esta cidade beneficiar com tal solução, embora acarretando graves prejuízos para as restantes partes territoriais e para o todo nacional.
O regionalismo sério não acusa outros de divisionistas, antes se preocupa em reconhecer a genuinidade de propósitos expressa de forma pacífica e com argumentos de peso. As reivindicações sectoriais (auto-estrada, ferrovia electrificada até à Funcheira, aeroporto, Universidade do Baixo Alentejo e outros investimentos...) têm igualmente a sua justificação e legitimidade. Chegámos, todavia, a um tempo em que é imprescindível ter pensamento estratégico. Para que o Baixo Alentejo se torne, como autarquia, uma região administrativa inquestionável no quadro da democracia portuguesa, é preciso que os naturais dos 18 concelhos do Baixo Alentejo se mobilizem a fim de apoiar ao máximo a nova realidade a construir.  

O que tem de ser, tem muita força!!!


Texto da autoria de Luciano Caetano da Rosa