Horas certas

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Txt. 1. para a OVIBEJA


Leia, medite e junte-se a nós!
Pelo menos nos últimos vinte anos, grosso modo, tem-se falado tanto em “Alentejo, Alentejo…” que muita gente parece já ter esquecido que o Baixo Alentejo existe. Tem-se assistido a um apagamento quase sistemático do Baixo Alentejo. Quem fala hoje em Baixo Alentejo, já provoca, por vezes, um sobressalto, um desconforto ou até uma animosidade em certos ouvintes. Baixo Alentejo? Alentejo!, corrigiu alguém uma vez o bispo de Beja quando o antístite se referira ao território da sua diocese pela designação correcta. Baixo Alentejo? Que é isso? E sobretudo os que não são de cá, mas “ têm cá um monte no Alentejo” (pois, “ o Alentejo está na moda”) parece acharem esquisito que os naturais se refiram à sua terra com propriedade. Muitos desconheciam até à candidatura do Cante a Património mundial ou fingiram desconhecer que, por exemplo, o Cante alentejano é a alma do Baixo Alentejo, é só daqui e da sua diáspora. Todos podem e devem, naturalmente, fruí-lo, mas não podem usurpá-lo. O seu contexto vital (Sitz im Leben) nos séculos XIX e XX foi no Baixo Alentejo, só depois se expandindo pela migração interna para a cintura da capital ou continuando a aventura na emigração.
Entre a península de Tróia e a ribeira de Seixe, entre o saliente de Barrancos e a foz do Vascão no Baixo Guadiana, entre as faldas da Serra de Portel e as serranias algarvias se estendem as planícies e peneplanícies baixo-alentejanas, cortadas pelos rios Guadiana, Mira e Sado, ocupando o interior até à raia espanhola e até ao mar do Baixo Alentejo litoral. Uma “região natural” como a designaram geógrafos no século XX. Uma terra de promissão, diremos nós !
Têm querido alguns matar a nossa identidade diluindo-a num panalentejanismo forjado, numa pseudo-unidade forçada à revelia do verdadeiro sentimento de pertença ou sentido de comunidade. A tentativa de identicídio, de assassinato duma identidade, não conseguiu nem conseguirá, esperemos, prevalecer perante os que amam o Baixo Alentejo e querem o  seu desenvolvimento no quadro de uma região administrativa própria.
Não somos “bairristas” nem “divisionistas” no sentido pejorativo de tais termos. Divisionistas são os que após uma primeira truncagem de quatro concelhos do Baixo Alentejo os integraram em Setúbal, embora Sines, Santiago do Cacém, Grândola e Alcácer do Sal, mesmo nesse distrito, nunca deixassem de ser concelhos baixo-alentejanos, a partir de 1936. Divisionistas são ainda os que querem hoje subtrair ao distrito de Beja mais um concelho, o de Odemira. Nem que seja só para efeitos estatísticos da EU. Perante a ilusão de um bem maior que seria a grande unidade de um só Alentejo, pratica-se uma velha engenharia que os romanos bem conheciam: divide et impera! Nós desejamos a integridade do Baixo Alentejo entre o litoral e o interior. Não podemos renegar a nossa terra, tal como não renegamos os nossos pais. Sem prejuízo do nosso amor a Portugal onde se inclui obviamente o Alto Alentejo, está na hora de nos empenharmos na auto-defesa, de agirmos em legítima defesa e de lutarmos pela institucionalização da região administrativa Baixo Alentejo.
Outra opção é continuarmos a ser o que hoje somos, uma verdadeira colónia! Se somos filhos de boa gente, não temos alternativa, a não ser: tomar, na nossa terra, o nosso destino nas nossas mãos. Esse caminho pode começar numa singela assinatura de apoio à institucionalização da região administrativa Baixo Alentejo. Embora bastante decisivo, é só um primeiro passo. “Temos” minas que não temos, pois, pertencem a multinacionais estrangeiras. “Temos” terras de barro que não temos, pois,  constituem verdadeiras “barrigas de aluguer” nas explorações intensivas estrangeiras: aí se destrói até ao esgotamento a terra na sua ecologia, aliena-se a origem da produção clandestinizando a região e o país nos mercados, com prejuízo da região e do país em sede de impostos e taxas, funciona-se com frequência em bases esclavagistas com mão de obra estrangeira desprotegida, não se cria postos de trabalho para os braços locais, antes se fomenta mais desemprego e emigração.
E que dizer do “nosso” porto de águas profundas em Sines e do seu/”nosso” correlato aeroporto em Beja que não “se levanta do chão?” E como interpretar os adiamentos na conclusão dos itinerários rodoviários? Ou a destruição da ferrovia? E por que motivo somos esquecidos no Orçamento Geral do Estado enquanto outras parcelas do território nacional são copiosamente beneficiadas? Que mal fizemos a quem, nós, os do Baixo Alentejo? Na nossa Associação/Movimento AMORBA – amor ao Baixo Alentejo – não estamos contra ninguém, queremos apenas estar a nosso favor como nunca historicamente se esteve. Com uma visão estratégica a longo prazo para a Região Administrativa Baixo Alentejo, a nossa força reside numa ideia justa. Dê mais força a esta ideia, juntando-se a nós!
AMORBA na Ovibeja, Beja, 22 de Abril de 2016

Pelo Baixo Alentejo com 18 concelhos como Região Administrativa!

Pelo Baixo Alentejo com 18 concelhos como Região Administrativa!

A AMORBA é uma instituição!

Esta sigla pode ser descodificada como “Amor ao Baixo Alentejo”, o lema que nos inspira.
A Associação Movimento Pró-Região Administrativa BAIXO ALENTEJO, com 18 concelhos, está institucionalizada obedecendo a todos os requisitos legais. Participámos no Congresso da Amalentejo em Tróia no dia 2 de Abril de 2016.  Este Congresso foi generoso connosco cedendo a palavra aos dois representantes da AMORBA, apesar das nossas diferenças, gesto importante que agradecemos. Com efeito, nós fomos as vozes discordantes numa imensa unanimidade dos representantes da Amalentejo. Esta associação defende uma só região alentejana, enquanto a AMORBA não vê qualquer vantagem numa região vastíssima, quase um terço do território nacional, e defende o Baixo Alentejo. Ambas as associações estão de acordo quanto à necessidade de haver regiões administrativas no continente. Ambas primam certamente pelo seu amor a Portugal e a todo o Alentejo. Só que nós, os da AMORBA, fazemos questão de ressaltar a nossa diferença específica, sobretudo no que diz respeito ao Baixo Alentejo, ao vê-lo como futura região administrativa com seus 18 concelhos: os 14 concelhos do distrito de Beja e os 4 concelhos baixo-alentejanos que ainda se encontram no distrito de Setúbal. Olhemos para os mapas um pouco mais antigos e recuperemos a imagem e a harmonia do Baixo Alentejo. Afirmamos isto pela positiva, sem sermos contra ninguém. Assumimos a nossa existência naturalmente na unidade do Baixo Alentejo interior com o Baixo Alentejo litoral, a que alguns hoje em dia chamam Alentejo Litoral.  Partes do Baixo Alentejo litoral (Sines, Santiago, Grândola e Alcácer) não se poderão furtar à chamada, uma chamada histórica baseada na sua identidade histórico-geográfica e cultural, nunca apagada por Setúbal e que não poderá ser diluída por Évora, que não tem, mas gostaria de ter mar. Posto isto, “o Alentejo” não é um dado adquirido, ao contrário do que muitos possam pensar. Há Alentejos como há Beiras. Não cremos numa só região Alentejo que, como já se viu, só serviria os interesses hegemónicos de Évora. Já chega de açambarcamento de instituições por Évora. Basta !!! Um só Alentejo seria uma espécie de Bélgica em termos de Km2. Ora, nós estamos convencidos de que se administra melhor uma região com 18 concelhos, com história própria, cultura própria – pense-se, por exemplo no Cante alentejano que é fundamentalmente do Baixo Alentejo (e aqui, atenção, nada de usurpações, nem de cassetes-pirata !!!) - do que uma região com quase 50 concelhos e capital em Évora. Temos, certamente, alguns traços culturais comuns com o Alto Alentejo, mas constituímos, no fundamental, uma forte alteridade. O polinucleado proposto por alguns falhou em toda a linha e hoje os factos falam mais alto. Assistimos a uma mononucleação institucional em Évora, “levam para lá tudo”, vox populi dixit, e o que para lá vai, de lá tarde ou nunca sai. Propor uma só região polinucleada e sem uma capital, não faz qualquer sentido. Qualquer região ou país tem de ter uma capital, mesmo privilegiando a descentralização, a desconcentração e o fomento do intermunicipalismo. Neste momento, o Baixo Alentejo é uma verdadeira colónia. Somos contra um desenvolvimento em que para uns serem qualquer coisa, outros tenham de deixar de ser ou de prescindir do pouco que já têm. O Baixo Alentejo não existe no actual Orçamento Geral do Estado. Vergonha para quem é responsável por isto !!! A AMORBA deseja que todos vão para a frente, que todos se desenvolvam, que ninguém fique para trás ou seja excluído. Não queremos mandar em ninguém, mas também não queremos ser mandados por ninguém. Sem querermos politizar, a luta de classes começa no marco regional e na definição correcta do seu formato. Contem, pois, connosco para o diálogo franco, aberto, leal, sem preconceitos. Vamos fazer-nos à estrada nos 18 concelhos com tempo, no litoral e no interior do Baixo Alentejo, na nossa região, na nossa terra. Nós somos do Baixo Alentejo. Não somos do Alentejo Central nem do Norte alentejano, embora também seja bom ser de qualquer dessas regiões ou das restantes regiões portuguesas. Uma região administrativa do Baixo Alentejo será melhor para os residentes, para as outras regiões, a começar pelo resto do Alentejo, e para Portugal. Divisionismo? Só reclamamos a integridade e soberania regional do povo do Baixo Alentejo! Deixem-nos, portanto, decidir em paz aquilo que queremos nos 18 concelhos e não se metam nos nossos assuntos. Não têm legitimidade para tal. O voto cidadão é que  há-de decidir este magno assunto, se necessário, em referendo. E enquanto não houver regionalização, vale o artigo 291º (distritos) da Constituição da República Portuguesa. O resto são ilusões voluntaristas.

Luciano Caetano da Rosa

Presidente da Direcção Executiva da AMORBA