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domingo, 29 de julho de 2018

O Aeroporto de Beja

O Aeroporto de Beja

Esta infra - estrutura, regional e nacional, foi notícia na semana passada por bons motivos. Nela aterrou o maior avião do mundo, um A 380, a maior aeronave da aviação civil que existe neste momento. Isto não representaria nada de especial se não fosse o caso de este avião só poder aterrar em dois lugares no território nacional: em Beja, capital do Baixo Alentejo, ou então no aeroporto das Lages, no arquipélago dos Açores.
Foi tocante ver como milhares de pessoas se deslocaram ao aeroporto a fim de observar de bastante perto aquela maravilha tecnológica. Por outro lado, mais uma vez muitas pessoas se consciencializaram do crime económico, social e cultural que representa contra o país a não utilização ou a fraquíssima utilização que se faz de tal equipamento.
O que tem de ser, todavia, tem muita força, embora haja imensos interesses, até no espectro partidário considerado tradicionalmente progressista. Continua-se a tergiversar com outras hipóteses de construção de novo aeroporto, sempre centralistas (Montijo, Campo de Tiro de Alcochete…) para colmatar as brechas, as lacunas, os hiatos e o caos na Portela. O aeroporto de Beja, tendo custado uma ‘pechincha’, ali está à espera de melhores dias, prontinho, há muito tempo, mas como não o podem atacar diretamente na sua qualidade, os estranhos interesses vão-no boicotando através do isolamento rodo - ferroviário.
A rodo-ferrovia moderna aproximá-lo-ia de Sines e da raia espanhola, da capital e do Algarve. Em menos de uma hora ou em pouco mais de uma hora, este aeroporto serviria não só o Baixo Alentejo com seus 18 concelhos, como o restante Alentejo, o Algarve, a capital, áreas do Ribatejo, podendo mesmo “ litoralizar ” regiões espanholas da Estremadura e da Andaluzia. Poderia ainda ligar Beja a mais linhas domésticas (Bragança, Porto, Madeira, Açores…) e ao mundo inteiro. É disto que se tem medo? A entrada em pleno funcionamento deste aeroporto dinamizaria de forma robusta o desenvolvimento do verdadeiro interior profundo e não o de um certo “interior” tão propalado por determinada gentinha das “unidades de missão” ou que anda à procura de novos “tachos”.
Este aeroporto não representa nenhum perigo de navegação conhecido, nem ameaça nenhum ecossistema de forma inaceitável. Já o mesmo não se pode dizer de qualquer aeroporto situado no Montijo ou no Campo de Tiro de Alcochete. Qualquer destas situações, a 30 km uma da outra, destruiria a sustentabilidade numa zona sensível, rica em avifauna, em sapais… seria uma catástrofe ecológica.
Os grandes responsáveis têm nomes, estão no governo (um deles é Pedro Marques !!! ), sentam-se no Parlamento, encontram-se na ANA e entre os acionistas da proprietária da ANA, a Vinci. Sobre o cinismo de certos jornalistas na capital, o melhor é ignorar. Todos estes atores não são nem cegos nem invencíveis, mas até quando, na sua interessada “ cegueira”, prejudicarão ainda o nosso País?


Luciano Caetano da Rosa, Presidente do Executivo da AmorBA, Associação Movimento Pró-região Administrativa do Baixo Alentejo