O Aeroporto de Beja
Esta infra - estrutura, regional e nacional, foi notícia na
semana passada por bons motivos. Nela aterrou o maior avião do mundo, um A 380,
a maior aeronave da aviação civil que existe neste momento. Isto não
representaria nada de especial se não fosse o caso de este avião só poder
aterrar em dois lugares no território nacional: em Beja, capital do Baixo
Alentejo, ou então no aeroporto das Lages, no arquipélago dos Açores.
Foi tocante ver como milhares de pessoas se deslocaram ao
aeroporto a fim de observar de bastante perto aquela maravilha tecnológica. Por
outro lado, mais uma vez muitas pessoas se consciencializaram do crime
económico, social e cultural que representa contra o país a não utilização ou a
fraquíssima utilização que se faz de tal equipamento.
O que tem de ser, todavia, tem muita força, embora haja
imensos interesses, até no espectro partidário considerado tradicionalmente
progressista. Continua-se a tergiversar com outras hipóteses de construção de
novo aeroporto, sempre centralistas (Montijo, Campo de Tiro de Alcochete…) para
colmatar as brechas, as lacunas, os hiatos e o caos na Portela. O aeroporto de
Beja, tendo custado uma ‘pechincha’, ali está à espera de melhores dias, prontinho,
há muito tempo, mas como não o podem atacar diretamente na sua qualidade, os
estranhos interesses vão-no boicotando através do isolamento rodo - ferroviário.
A rodo-ferrovia moderna aproximá-lo-ia de Sines e da raia
espanhola, da capital e do Algarve. Em menos de uma hora ou em pouco mais de
uma hora, este aeroporto serviria não só o Baixo Alentejo com seus 18
concelhos, como o restante Alentejo, o Algarve, a capital, áreas do Ribatejo,
podendo mesmo “ litoralizar ” regiões espanholas da Estremadura e da Andaluzia.
Poderia ainda ligar Beja a mais linhas domésticas (Bragança, Porto, Madeira,
Açores…) e ao mundo inteiro. É disto que se tem medo? A entrada em pleno
funcionamento deste aeroporto dinamizaria de forma robusta o desenvolvimento do
verdadeiro interior profundo e não o de um certo “interior” tão propalado por determinada
gentinha das “unidades de missão” ou que anda à procura de novos “tachos”.
Este aeroporto não representa nenhum perigo de navegação
conhecido, nem ameaça nenhum ecossistema de forma inaceitável. Já o mesmo não
se pode dizer de qualquer aeroporto situado no Montijo ou no Campo de Tiro de
Alcochete. Qualquer destas situações, a 30 km uma da outra, destruiria a
sustentabilidade numa zona sensível, rica em avifauna, em sapais… seria uma
catástrofe ecológica.
Os grandes responsáveis têm nomes, estão no governo (um
deles é Pedro Marques !!! ), sentam-se no Parlamento, encontram-se na ANA e
entre os acionistas da proprietária da ANA, a Vinci. Sobre o cinismo de certos
jornalistas na capital, o melhor é ignorar. Todos estes atores não são nem
cegos nem invencíveis, mas até quando, na sua interessada “ cegueira”,
prejudicarão ainda o nosso País?
Luciano Caetano da Rosa, Presidente do Executivo da
AmorBA, Associação Movimento Pró-região Administrativa do Baixo Alentejo
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