Patamar Com Novo Impulso
As tarefas da AmorBA (Associação Movimento Pró-Região Administrativa do Baixo Alentejo) vão dar um salto quantitativo e qualitativo na vida desta associação. Motivados por um acendrado amor à nossa terra, às nossas gentes e à nossa cultura, vimos anunciar, em consequência desse sentimento, um conjunto de lutas e empenhamentos cívicos que consideramos urgentes e necessários no contexto actual da nossa vida colectiva. Após termos conseguido um conjunto de mais de mil assinaturas de cidadãos apoiantes dos 18 concelhos e de já contarmos com centenas de abordagens nas redes sociais, anunciamos igualmente nova presença com pavilhão próprio na Ovibeja de 2019 e passamos a dispor de um sítio ou “site” na Internet, para além dos ecos que se farão ouvir nas redes sociais.
A AmorBa é uma associação cívica extremamente inclusiva. Assenta na compreensão activa da necessidade de se avançar para a regionalização administrativa em Portugal continental e, nesse contexto, defendemos a institucionalização da Região Administrativa do Baixo Alentejo com 18 Concelhos: os actuais 14 Concelhos do distrito de Beja (incluindo aqui naturalmente Odemira), assim como os 4 Concelhos baixo-alentejanos (Grândola, Alcácer do Sal, Santiago do Cacém e Sines) que a Ditadura Militar e o Estado Novo roubaram à província do Baixo Alentejo em 1926, com o fim de se dar territorialidade ao então criado distrito de Setúbal. Para se ser apoiante e se tornar membro da AmorBA, basta estar de acordo com a institucionalização administrativa da Região do Baixo Alentejo com seus 18 Concelhos.
Exigimos do PR e demais instâncias constitucionais que se cumpra e se faça cumprir a Constituição da República Portuguesa (CRP) no que diz respeito à regionalização em Portugal continental.
Exigimos o respeito pela vontade popular, nomeadamente no que toca aos resultados do Referendo de finais do século XX, onde a maioria dos Concelhos do Baixo Alentejo rejeitou uma só região Alentejo.
Trabalhamos para unir harmonicamente o Baixo Alentejo interior com o Baixo Alentejo litoral.
Denunciamos as engenharias geográficas e manipulações terminológicas. Falamos com rigor de Baixo Alentejo litoral e nunca de “Alentejo Litoral”, pois, só a região Baixo Alentejo (e nunca o Alto Alentejo) tem parte na costa marítima portuguesa.
Os nossos adversários são todos aqueles que defendem uma só região Alentejo, encobrindo assim os interesses de exploração e de dominação do Baixo Alentejo. A nossa terra não está disponível para continuar a ser uma colónia de Évora. Esta cidade tem provado ao longo de décadas, de séculos, a sua voracidade: “Eles comem tudo e não deixam nada”. Até do Cante alentejano se querem apoderar, eles que nunca antes o cantaram (e ainda bem, até porque não o sabem cantar!) e o desprezavam. Era melhor continuarem a cultivar as suas “saias” que também são muito bonitas. O Cante é do Baixo Alentejo. O seu eco chegou a poucos Conselhos limítrofes do Alto Alentejo, que neste aspecto ostentam a cultura do Baixo Alentejo, embora administrativamente sejam Alto Alentejo. Para que ninguém tenha dúvidas, aqui vai o mapa do Cante, da autoria do catedrático, musicólogo portalegrense, J. Ranita da Nazaré, em tese defendida na Universidade de Paris/Sorbonne. Este mapa foi obtido em Música tradicional portuguesa – Cantares do Baixo Alentejo, Biblioteca Breve/Instituto de Cultura Portuguesa:
Regionalizar significa, entre outros factores benéficos, proximidade. Uma só região Alentejo seria sensivelmente um terço do País às ordens de Évora.
Os nossos principais adversários encontram-se em Bruxelas (os inventores das NUTs e outros absurdos…), na capital e no governo central (sendo Lisboa um dos principais responsáveis pelo atraso do País), enfim, em Évora e na CCDR com seus agentes deletérios (uns de cá, outros de fora) espalhados pelo território, para levarem a cabo estratégias de submissão do Baixo Alentejo.
No Baixo Alentejo devem mandar democraticamente os baixo-alentejanos ou não haverá regionalização. É preciso reverter todas as deslocações de serviços públicos concentrados ou levados para Évora e tirados a Beja (assim como a Portalegre) e exigir a sua reinstalação nestas duas cidades.
Devemos contrariar falsos argumentos com aparência verdadeira que só visam perpetuar o jugo eborense. Eis alguns desses pseudo - argumentos ou sofismas ou falácias que só servem para enganar incautos: “ a unidade dos alentejanos”; “fileiras em economias de escala”; “territórios de baixa densidade demográfica”. A unidade dos alentejanos ou dos portugueses só se pode fazer com base na justiça e não com base na espoliação e na dominação de uma cidade sobre cerca de um terço do território nacional. Em seguida, as fileiras (do vinho, disto e daquilo…) não param em fronteiras administrativas, têm dinâmicas próprias. Por fim, a baixa densidade demográfica no Baixo Alentejo só tenderá a agravar-se sob o jugo eborense. Ora o Baixo Alentejo com 18 Concelhos tem um território de mais de 13.000 km2 e conta com mais de 200.000 almas, para recomeçar a vida nos marcos da sua região, da sua história e da sua cultura.
Denunciamos as miragens de uma única região Alentejo polinucleada. Está tudo cada vez mais mononucleado em Évora. A autarquia Região Administrativa do Baixo Alentejo tem tudo para
vir a ser muito rica e desenvolvida em todos os âmbitos, com independência financeira e gestão local democrática dos seus recursos económicos, patrimoniais e culturais.
Perante sucessivas discriminações negativas contra o Baixo Alentejo, contrastantes com sucessivas discriminações positivas a favor de Évora, declaramos, individual e colectivamente,
o actual Primeiro-Ministro e seu governo como “persona non grata” na nossa região.
Sucessivos governos centrais e a CCDR em Évora andam há muito a agir como se só uma única região “Alentejo” existisse, com organismos e burocracias regionais que invadem com seus agentes o nosso território, sem legitimidade democrática. É preciso denunciar isto de forma socialmente pedagógica e actuar contra isto de forma pacífica e cívica, mas não menos firme.
Luciano Caetano da Rosa
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